Monday, November 24, 2008
All the Things
Ouça a nova track com a parceria do ANDREY JUNCA "Things To Never Say" em:
http://www.lastfm.com.br/music/Rafael+St+Cruz
Sunday, November 16, 2008
CALOR, FUTEBOL E CHOP
CALOR, FUTEBOL E CHOP
Dia de jogo, num dia quente. Os amigos, um barzinho e muitos chops.
Conversa descontraída, dezenas de pessoas, casais, crianças, grupinhos, panelinhas e muitas e muitas gargalhadas num ambiente quente e animado. Ninguém sabia ali que uma história paralela seguia seu rumo.
Uma senhora que estava próxima a mesa de meu grupo pediu uma pizza tamanho família (isso percebemos porque foi impossível não perceber), ela estava só e assistia o jogo de futebol animadamente.
O assunto geral eram os jogadores, os craques, o jogo! Quem ganhou quem, quem era melhor. Se a bebida tava gelada e "Vamos pedir mais uma porção de batata frita?!" Nesse meio tempo passavam pessoas na rua, vendedores, conhecidos e etc... "E aí beleza?!" E por aí vai...
Em certo momento firmou-se uma calmaria, meio que se o tempo tivesse parado, foi quando logo a minha frente avistei em baixo de uma árvore na penumbra e sentado na calçada um menino de uns nove anos de idade. Ele estava só, e logo me lembrei que aquele menino tinha sido uns do que haviam passado em nossa mesa pedindo dinheiro através de um papel que ele distribui nas mesas (com certeza eu fui um dos que nem ligou quando passou) Olhei em volta e vi que ninguém percebeu a solidão daquele. Tinha a senhora da pizza, tinha um casal que estava bem próximo de onde ele estava. Fiquei olhando aquela cena e pensei: "Como num lugar com tanta gente tem uma criança completamente só essa hora da noite?" E realmente a tristeza fazia parte daquela cena e daquela criança. Às vezes ele olhava pro alto, parecia rezar ou algo desse tipo e de novo olhei ao meu redor e, todos rindo, bebendo, risadas e tal... Pensei: "Ninguém tá vendo esse menino?" Ele tá agonizando! E realmente, ninguém tinha percebido.
Olhando vi que ele usava roupas menores que seu tamanho, e sua calça jeans era de menina. E nessa hora ele levou as mãos ao rosto e começou a chorar, era um choro de pura tristeza, de solidão, não sei explicar... Ah ninguém percebeu.
Sem pensar levantei, fui à uma padaria que havia próxima. Comprei um Hamburger, um suco, pedi para viajem e na embalagem coloquei um dinheiro.
Fui até ele, sentei do seu lado e começamos um diálogo. Ele se chamava Rodrigo Veloso. Perguntei por que ele estava chorando (por que será que um menino de oito anos estava na rua pedindo dinheiro tarde da noite). Segurei sua mão e a outra coloquei no ombro e ele começou a contar sua história. Disse que não tinha pai e que sua mãe ficava o dia tomando conta de sua irmã doente em um hospital. Enquanto isso ele andava ao longo do dia pelas ruas pedindo dinheiro para ajudar em casa. Não sei se era verdade, talvez os pais o obrigassem a essa exploração.
Tentei conforta-lo de alguma forma, falei de Deus, de esperança e que todos nós temos nossos fantasmas. Disse que tudo ia dar certo, falei pra ele voltar para casa.
À essa altura ele não estava chorando mais, e então entreguei a sacola com o lanche. Acho que funcionou pelo menos pelo momento e realmente e estava bem melhor. Nos despedimos, ele levantou e foi no meio da noite às luzes dos carros e dos postes.
Me senti bem... Saí da inércia do contato humano, e realmente não me arrancou nenhum pedaço, FIZ ALGO!
Decidi que a partir daquele dia iria procurar algum grupo ou entidade que ajude quem precisa.
Voltando pra mesa algumas pessoas vieram falar comigo perguntando se eu queria ajuda, se eu queria algum dinheiro para compensar a minha boa ação, perguntando sobre o menino, até um figurão que estava também no bar me disse: "Sou arquiteto toma o meu cartão se precisar de algum dinheiro, vi o que você fez, se você tiver notícias do garoto eu te ajudo." Deu pra perceber que muitos ali tinham visto o menino e sua situação, mas ninguém fez simplesmente NADA.
É isso! Só um acontecimento num dia de calor, futebol e chop, num mundo carente, fora do real, no virtual, no banal, num mundo vaidoso frenético e superficial.

